RIO - O que mais chama atenção em "Rio ink", que vai ao ar no dia 28 de outubro, às 22h, no People + Arts, é o sentimento à flor da pele - literalmente - que não se vê em "Miami ink", original americano do reality show que mostra o dia-a-dia de um estúdio de tatuagem. No episódio gravado todo em terra carioca, os personagens choram de emoção ao se lembrar dos motivos que os levaram a querer se tatuar; fazem careta, têm vertigem e mordem a camiseta ao sentir a dor das espetadas da agulha.Escolhemos o Rio porque a cidade tem uma característica fantástica, por causa do clima e da praia, que são os corpos à mostra naturalmente. É o cenário ideal para a arte da tatuagem - diz Fernando Medin, gerente geral da Discovery Network no Brasil, que reúne os canais Discovery e o People + Arts. O programa carioca mostra que tatuar dói, sim, apesar de ser uma dor suportável. É quase uma "desglamourização" da arte de marcar o corpo. O episódio único se passa na filial de Ipanema do estúdio Banzai, um dos mais tradicionais do Rio. Cinco tatuadores - Lúcio Tattoo, o dono do negócio, CH2, Magathi, Lia e Daniel - fizeram os desenhos nos 12 personagens escolhidos, mas apenas sete deles vão ao ar. Foram mais de 22 mil inscritos, e a equipe de produção selecionou aqueles cujas histórias eram as mais marcantes. O único famoso é Tico Santa Cruz, vocalista da banda Detonautas, que tatuou a figura de Iemanjá na perna esquerda. Há o caso de Gisele, uma amazonense que perdeu o namorado no acidente aéreo da TAM, ano passado, e queria terminar a tatuagem de borboleta de 30 cm que tinha começado antes da tragédia. Ela se debulhou em lágrimas durante o processo e, no fim, resumiu assim o que estava sentindo: - Completei minha história de amor. Mas nem só de histórias tristes vai viver o "Rio ink". Há espaço também para alegrias - como a de um casal que tatuou, cada um em seu punho, a metade de uma serpente em forma de coração - e até clima de sedução, protagonizado por uma modelo loura chamada Karoline. A moça fez tudo para conquistar o tatuador CH2, apesar de saber que ele era comprometido. - A relação do tatuador com o cliente é mais forte do que se imagina - explica Magathi, que terminou a borboleta da viúva amazonense e ganhou dela um abraço emocionado. Lia, a única tatuadora do programa, conta o que é preciso para engrenar na profissão: - Tem que saber desenhar e ter sensibilidade. As mulheres costumam ter mais que os homens. Já Daniel conta que usa a tatuagem como terapia, apesar de levar uma bronca do chefe no meio do episódio por chegar sempre atrasado. - Eu tenho 70% do meu corpo tatuado. Do pescoço para baixo não há limite. Tatuar é o que me alivia - conta ele. Ao todo, foram dez dias de gravação. E, se tudo der certo, a idéia é continuar. - Queremos testar o formato no Brasil. Achamos que será um sucesso e, sendo assim, a idéia é dar prosseguimento à série - diz Medin. A frase que Lúcio Tattoo diz logo na abertura do episódio resume o espírito do programa: - Atrás de uma tatuagem há sempre uma grande história. |