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ENTREVISTA COM LIA CALHEIROS

PARA O PORTAL TATTOO

Fonte: PORTAL TATTOO por Thiago Monteiro Bittencourt

Lia Calheiros

O que, ou quem te incentivou a escolher esta profissão?
O gosto pela ilustração e a vontade de unir trabalho e prazer, sabendo que nesta profissão, realizo o sonho de muitas pessoas. Isso me satisfaz.

Há quanto tempo você está tatuando no Banzai Tattoo?
Desde 1995.

Há quanto tempo é tatuadora profissional?
Desde quando comecei na Banzai assim considero.

O convite para ir trabalhar aí, partiu de alguém do estúdio ou teve que ir "a luta"?
O próprio Lucio (dono da Banzai) me convidou um ano depois de ter comprado a loja. A Banzai na época já tinha um nome forte, e isso parecia um sonho.

O Banzai é o primeiro estúdio no qual você trabalhou?
Não, trabalhei em outro estúdio também do Lucio. O extinto "The Magic Tattoo World" ficava em Ramos, no subúrbio do Rio, mas foi só por alguns meses.

Como não poderia deixar de ser, devemos perguntar: já foi discriminada no meio da tatuagem por ser mulher?
Rola sempre uma discriminação, mas hoje é mais tranqüilo pelo tempo em que trabalho na loja e as pessoas já conhecem meu trabalho.

Pelos seus trabalhos dá pra ver que você já desenha há muito tempo. Antes de se dedicar à tatuagem, o que preferia desenhar?
Na época gostava de figuras humanas com toque de surrealismo. Era figuras do inconsciente quase como uma terapia.

Ainda falando de preferências, qual o estilo você mais gosta de tatuar?
Ainda gosto da figura humana - não daquela que existe no real, mas a fantasia, o guerreiro, a ninfa... De temas religiosos como santos e anjos; motivos femininos, paisagens e animais.

Se lembra qual foi a tatuagem que te deu mais trabalho?
Não me lembro exatamente qual. Pra mim, o que dá mais trabalho é a teimosia do cliente que não quis pagar por um trabalho profissional, que vai até loja para cobrir ou consertar a tattoo mal feita e ainda por cima não aceitar as limitações da cobertura.

Como foi fazer a primeira tattoo? 
A primeira tattoo foi bastante amadora, com uma maquina caseira, agulha de costura e nanquim.
Tatuei um amigo meu e levei horas, apesar do desenho ser pequeno, pois tinha que passar várias vezes no mesmo local para a pigmentação pegar na pele. Hoje em dia é tudo mais fácil. Material e informação ao alcance de todos.

Quais foram suas ocupações antes de se tornar tatuadora?
Comecei a tatuar aos 18 anos sem muito compromisso, mas pelo prazer. Paralelo a isso trabalhei como recepcionista, auxiliar de escritório, arte finalista e com editoração eletrônica. Nunca satisfeita com o trabalho, pedia demissão antes de completar um ano de casa. Nos finais de semana tatuava limitando-me a trabalhos simples, tinha pouco contato com outros tatuadores até conhecer o Lucio.

Deixaria de tatuar por algum motivo?
Se cortassem meus dedos.

Como foi a posição de sua família quando decidiu tornar-se tatuadora? 
Não gostaram muito da idéia na época. Não era como hoje, existia muito mais preconceito na época.

Como funciona o processo com os clientes, por serem vários profissionais trabalhando no mesmo local? 
Existem clientes que já vêm procurando um tatuador específico e clientes de balcão. Procuramos dividir os trabalhos. Na Banzai não há competição, sem essa de "super ego". Se houvesse, eu não estaria lá.

Você já tatuou em outra cidade fora Rio de Janeiro?
Não tive esta oportunidade.

Seus clientes são em sua maioria homens ou mulheres?
Tenho muitos clientes homens, mas como era de se esperar, a grande maioria é de mulheres. Elas se sentem mais a vontade com uma tatuadora.

Já teve estúdio próprio ou pensa em abrir um pra você?
Não. A Banzai é uma grande família aonde todos se ajudam, e esse contato diário com vários tatuadores enriquece e estimula muito meu trabalho.