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A ALMA DA TATUAGEM

Chega ao Brasil uma versão do reality show Miami Ink, que mostra as histórias por trásdas tatuagens e o dia-a-dia de um grande estúdio

Fonte: Martha Mendonça - Época

Equipe BanzaiBruno Carneiro tem 27 anos, é designer gráfico e está prestes a estampar na pele seu amor pelo desenho: diz que vai tatuar nas costas inteiras uma figura humana formada por mãos. Ele já tem duas tribais pequenas, no braço. A nova será a maior. Ana Cláudia Padilha, de 21 anos, estudante e aspirante a atriz, quis homenagear o pai – morto no ano passado – e a mãe. Vai escrever na nuca “made by Fábio e Lúcia”. É sua estréia em tatuagens. Ela sempre temeu a dor. Tico Santa Cruz, de 31, líder da banda Detonautas, debutou aos 15 anos, escondido do pai. Hoje, estima ter 60% do corpo coberto de desenhos, de cruzes ao nome do filho e de corações a símbolos tribais. Agora, vai registrar uma imagem de Iemanjá na parte interna da batata da perna direita (na parte externa já tem uma Santa Bárbara, ou Iansã). O músico, surfista, diz que a escolha tem a ver com sua paixão pelo mar. Os três são personagens do reality show Rio Ink, que vai mostrar o dia-a-dia de um estúdio de tatuagens. O programa é a versão nacional da série americana Miami Ink (ink em inglês é tinta), exibida pelo canal por assinatura People +Arts, pelo qual já passaram celebridades como Gisele Bündchen e Robert Downey Jr.

A exemplo do Ink original – criado em 2005, desde o ano passado com versões em Los Angeles e Londres –, a versão nacional leva ao ar as histórias que existem por trás das tatuagens. “Vamos mostrar que por trás de um desenho na pele existe uma marca na alma”, diz o slogan do programa. Em apenas um mês e meio, por meio da internet, a produção, feita no Brasil pela produtora carioca Cara de Cão, recebeu mais de 22 mil inscrições. Destas, sobraram 12 candidatos que participarão do programa. Apenas de quatro a seis personagens vão ao ar. “Nossa escolha levou em conta a emoção das histórias, a diversidade dos casos e também a ligação com a cidade”, diz o diretor-geral, Ique Gazzolla. Foram selecionadas histórias como a de uma moça que resolveu tatuar a imagem da cadela morta nas costas e do torcedor do Flamengo que quis registrar o escudo do time no peito.

Tico-DetonautasO estúdio de tatuagem escolhido pela produção foi o Banzai Tattoo & Piercing, na Barra da Tijuca. Cinco tatuadores da casa foram escalados para o reality show. Eles também são personagens dessa história. Durante a semana passada, foi gravada parte do programa, num clima descontraído, com risadas e incenso no ar. “Ver esse dia-a-dia de perto vai desmistificar ainda mais a tatuagem para o público”, diz Lucio Tattoo, profissional há três décadas e dono do Banzai.

Rio Ink terá, a princípio, apenas um episódio com uma hora de duração e será exibido só no Brasil, em agosto ou setembro. Mas poderá virar série mundial, caso o resultado seja bom. “Já estava na hora de termos uma versão latino-americana da franquia Ink. O nome Rio tem apelo mundial”, diz Rafael Rodriguez, diretor do Discovery Latin America. Ao misturar histórias emocionantes e a rotina dos profissionais, a série Ink se insere na mania mundial pelos reality shows. Como a cultura da tatuagem deixou de ser marginal e tem milhões de adeptos, principalmente nas grandes cidades, o Ink brasileiro tem grande chance de conseguir uma boa audiência.

Fotos: André Arruda/ÉPOCA, Fábio Seixo/People+Arts e divulgação